Genre: Mystery & Suspense
About Akari-chanLocation: Brazil Home Region: Age:19 Website: http://www.chromaggia.co.cc Favorite novels: The Doctrine of Labyrinths, Warchild, Narrow Rooms, Are You Loathsome Tonight? Favorite writers: Terry Pratchett, Neil Gaiman, Douglas Adams, Jonathan Stroud, Cornelia Funke, Sarah Monette, Karen Lowachee Non-noveling interests: watching tv (be it anime or series), reading (novels or manga or even history books - it's all good), gaming, drawing |
Joined: November 2, 2005 This Year: Official Participant NaNoWriMo History: NaNoWriMo posts: 4 NaNoWriMo buddies: 5
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Brief Author Bio: This is my FIFTH year doing NaNo. In all of he previous years I failed (but standing in the second place in the ranking in the first day in 2006 for a moment was my pride and joy), so... I hope this years things turn out to be different! |
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Excerpt: Outono Carmim
A carta dizia o seguinte:
Meu prezado professor Thompson, começava ela, datada da semana anterior.
Sinto muito por não lhe ter escrito como o prometido. Como pode ver, não estou habituada a escrever regularmente. Minhas mãos tremem e a tinta se espalha pelo papel de forma desordenada e, se escrevo para o senhor, é porque trata-se de urgência.
Sei que não é apropriado escrever para o senhor somente para pedir-lhe ajuda, mas peço que lembre de nosso encontro em abril, quando o senhor sentou-se ao meu lado no trem. Ele estava abarrotado de pessoas, e temia que algum homem de má índole escolhesse justamente o espaço ao meu lado, decorrente da ausência de lugares vazios. Por sorte ou intervenção divina, ainda não sei, foi o senhor que ocupou o assento ao meu lado dentro daquela cabine, e não me lembro de nunca ter tido conversa tão agradável em uma viagem daquele gênero.
Espero que lembre de nossa conversa. O senhor, um historiador tão refinado e culto, mostrou-se interessadíssimo nas histórias que eu possuía para contar. Ouviu atento aos contos e lendas do meu vilarejo, e seus olhos prestavam atenção somente nas imagens que construía em sua mente. Questionava, mas sem ser inconveniente. Nunca possui ouvinte tão interessado ou tão atento. As horas fastidiosas da viagem passaram tão rápido que logo vi despedindo-me do senhor e trocando endereços. Prometeu fazer uma visita assim que possível e revelou curiosidade na pequena biblioteca local. Insistiu para que, quando eu possuísse alguma nova história, escrevesse uma carta e pusesse-a imediatamente no correio, coisa que não fiz, mas faço neste momento.
Pois bem, meu caríssimo professor. Relato aqui uma história que talvez não desperte sua atenção tanto quanto a formação de meu pequeno vilarejo. Entretanto, se a relato não é somente porque admito contar com a sua ajuda, mas também por saber que o senhor desejou algum dia ouvir mais contos de mim. Preciso que acredite em cada palavra que escrever aqui, por mais estranhas que pareçam, e preciso da resposta imediatamente. Não sabe o quanto este assunto tem tirado o meu sono durante a noite, e passo os dias cansada e sem ânimo para o trabalho.
A história que preciso que conheça não é recente, e se encontra na biblioteca do vilarejo. Caso venha, espero que a leia, porque é tão antiga que temo conta-la de forma errada. A história que vou, de fato, relatar, é real e começou no início do outono.
Richard Baker, o filho do prefeito, sumiu quando partiu para uma caçada. Não voltou para a janta, e seu funeral logo seguiu-se. Apesar de sempre ter sido um exímio caçador e nunca terem sido encontrados qualquer vestígio de sua presença no bosque, a possibilidade de que tivesse sido atacado por um animal e devorado durante a caçada era real e ninguém duvidava de que fora o ocorrido. Sofremos muito pois o filho dos Baker era jovem e viril, e seu sorriso de cordialidade animava a todos. Entretanto, duas ou três semanas se passaram e já havíamos começado a nos recuperar.
Aí, então, notamos que a senhora Walker não aparecera no funeral, e nem na missa do sétimo dia. Miranda Walker era uma senhora reclusa, e talvez por isso demoramos a sentir a sua falta. Quando demos por ela e batemos em sua porta, não obtivemos resposta. Ao adentrar a casa, descobrimos-na vazia.
Se houvesse qualquer sinal de luta ou qualquer alteração da aparência habitual de seu lar, não notamos. Era como se ela simplesmente houvesse evaporado.
Não tardou para que ela e Baker se tornassem dois entre muitos. Em nossa vila, pessoas começaram a desaparecer sem deixar vestígios, e todos temem ser os próximos.
Agora peço que lembre-se de nossas conversas, e dos mitos e lendas da construção de nosso vilarejo. São estes que irá encontrar na biblioteca. Assumo que todos acreditam que essas histórias velhas são ridículas e nada tem a ver com os desaparecimentos que estão se tornando cada vez mais frequentes, mas eu admito que, ao contrário de todos, eu acredito.
Por isso preciso de sua presença aqui, professor. Não estou senil a ponto de saber que minhas crenças não passam de superstições baratas. Sei que não tem nada a ver com os problemas de minha gente, mas não tenho a quem recorrer se não o senhor. A polícia das grandes cidades não se incomoda com o nosso caso. Caso possa vir, sei que irá ao menos conseguir uma explicação lógica, e poderei descansar mais tranquila ao saber que é um homem, e não uma lenda a nos atormentar. Homens tem suas fraquezas e sei que, eventualmente, poderemos encontrar o responsável, nem que ele seja o último a sobrar na vila. Agora, lendas, professor… Contra as lendas, não se pode fazer nada.
Anseio pela sua presença tanto quanto pela sua resposta. Sabe que sou dona de uma pequena pousada, e espero que possa hospedar-se aqui. Não são visitas que faltam, já que procuramos não assustar visitantes eventuais com nossa comoção, entretanto, poderia contar com a sua presença aqui. Saiba que ela me deixaria incrivelmente contente.
Afetuosamente,
da sua amiga Susannah Bell
Akari-chan's Writing Buddies
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