Genre: Literary Fiction
About Petrus Ebrium
Location: São Paulo, Brazil.
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Age:24
Website: http://www.geocities.com/zanzard/parana
Favorite novels: Zorba the Greek, Siddartha, History of the Siege of Lisbon.
Favorite writers: José Saramago, Herman Hesse, Stephen Levitt, Kazantzakis.
Favorite music: Jazz
Non-noveling interests: Studying trivial tidbits of History and Management.
Joined date: October 31, 2005
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'05 | '06
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'05 | '06
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A Padaria do Padeiro Pirata (The Bakery of the Pirate Baker)
an excerpt
Entornou os conteúdos do bule na xícara. Não todos os conteúdos, obviamente. Apenas cerca de 8%. Tinha calculado com uma exatidão quase exata a quantidade daquele excelente líquido que seu bule continha a cada recarga. E constatara que cerca de 8% do conteúdo do bule preenchia uma de suas xícaras. Naturalmente, a porcentagem variava dependendo do bule e da xícara utilizados. No caso em questão, era 8% por vez.
- Nossa! O que é isso em sua mão?!?!
- É um bule.
- Eu sei que é um bule! Eu quero saber do que está na sua mão! Você me entendeu!
- Hm... meu caro, qual é seu nome?
- Eu? Manolo.
- Manolo, hein? Imagino que não foi meu cliente em tempos idos?
- Hein?! Não!
- Ah, compreendo. É por isto que para você o que está em minha mão é, neste momento do tempo e do espaço, o que está em minha mão é mais interessante do que aquilo que ESTÁ em minha mão. Logo isto mudará, quando vieres pela segunda vez!
Manolo já achava que tinha entrado na padoca errada, e que não haveria uma segunda vez. Além disso, aquela conversa sobre o que estava na mão dele e o que estava na mão dele era tão estranha quanto parecia ser.
- Explico-me. Isto em minha mão, e sim, não me refiro ao bule, é um gancho.
- E como cê tem um gancho no lugar da mão?
- Bem, é que no passado eu fui um pirata...
Silêncio. Manolo continuava espantado.
- Arrrrr...
- Pirata?!
- Sim, pirata.
- Com gancho e perna de pau e tudo?!
- Sim. Bem, na verdade com uma prótese de plástico. A perna de pau está na oficina.
- E sem um olho?
- Isso. Mas eu uso um olho de vidro. Se você não percebeu antes, é porque realmente a obra do artista que o fez mais uma vez provou ser sensacional. Bacana, não?!
Algo estava faltando.
- Eu achei que piratas usavam um tapa-olho!
- Eu já usei um, mas depois que vi aquele filme horrível “Street Fighter” eu parei. O tapa-olhos é um artigo de vestuário que Hollywood definitivamente arruinou. Pior do que isto só o fato de que este filme de que falei foi o último de Raul Julia. Péssima maneira de acabar uma carreira, não?!
Manolo nunca tinha assistido “Street Fighter”. Mal sabia ele que ele tinha, mas se esqueceu. Passou em uma noite esquecível na “Tela Quente”. E ele, devidamente, esqueceu. O que não esqueceria era da conversa louca em que tinha se metido.
- Ah... é...
Ele já queria beber o café e ir embora e pronto. Na verdade, queria mesmo era ir embora, mas o café já estava lá e seria feio sair sem o beber. E uma coisa que Manolo tinha medo era de cheatear o tal Alfredo, aquela figura tão estranha.
Bebeu o café. Pelo menos era um bom café. Talvez até fosse um ótimo café! Mas não descobriu porque bebeu o líquido muito rápido, querendo ir embora logo, e portanto seu tempo de degustação foi curto demais. Pobre Manolo. Ou melhor, pobre cérebro que não funcionava direito de Manolo. Gastou muito da energia e do sangue acumulados dentro de si pensando em fugir e pouco na degustação daquele alimento. Perdeu uma oportunidade pela qual alguns deuses do Olimpo matariam mortais, apesar desta atividade os entediar e eles terem néctar no Olimpo suficiente para matar logo a vontade pelo café daquele pirata. Um lugar louco, o Olimpo.
Petrus Ebrium's Writing Buddies
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